logo Entre Versos e Protestos

Abuso, reflexão, lágrimas

A culpa não foi minha...

Só tinha 12 anos quando aconteceu.

Era sábado, um silencio em casa, e minha mãe no culto.

Na cozinha vazia... e ao fechar a geladeira, senti o vulto.

Me agarrou e disse para não gritar, mas naquele momento era tudo que eu queria.

Ao me virar vi que conhecia aquele rosto, então um suspiro de alivio eu dei.

Alivio? É foi o que pensei.

Ele tomou meu corpo... doeu? Não o corpo, mas a alma...

Depois de me invadir, enquanto me via chorar ele me pedia calma?

Eu já não brinco de boneca.

Eu já não sinto mais dor.

Eu já não sei o que é certo ou errado.

Eu já não tenho mais amor.

O meu corpo era invadido por um homem que não era meu inimigo, até meus 12 anos era meu amigo, me protegia dos bandidos.

Sentia medo da noite, sentia mais medo quando minha mãe não estava, era obrigada a ficar em casa, e só então quando ele terminava... Eu dizia:

Vai sai... sai… PAI… me deixa sozinha…

E hoje com 15 anos não sei o que é brincar, não sei o que é sorrir, não sei o que é chorar, até as lágrimas não saem.

Mas quem sabe um dia eu possa a voltar a brincar de casinha, a criança não tem culpa…

Tomara que seja uma menininha…

E que minha mãe possa me perdoar e entender, a culpa não foi minha…

Eu juro... Não foi minha...